“Nova refutação do tempo” é uma criação multidisciplinar, onde a fotografia e a dança habitam o mesmo espaço. Onde a imagem não existe sem movimento e movimento não existe sem imagem. Criamos uma performance feita de fragmentos, onde reinventamos um corpo, mas também o espaço em que esse mesmo corpo se transforma.
Um fragmento de vento que gera combustão, assenta duas aves num aquário: é redoma circular de reforma eterna. Eterna, efemera, eterna, efemera, hoje para o precipicio, amanhã parto de cabeça colada ao lamaçal.
Criando uma atmosfera imersiva e de teor especulativo, a audiência é convidada a situar-se. Não é uma apresentação no espaço mas uma apresentação do espaço em permanente devir: fugaz e expansivo.
Retiro-me desta pilha de terra e de pedras enormes, desenterro a minha mão, seguido do meu braço, da minha perna, até ser corpo inteiro de fora. Olho-me ao espelho, e procuro a transparência, mas há muita poeira, arranhões, e vestígios de pedrinhas. Estou cheio de estratos, de camadas.
"Simulacro" é um exercício de intimidade, repetição e resistência. Dois corpos em ação contínua exploram os limites da sua proximidade através da natureza degenerativa do gesto.
Esta é a primeira peça de uma trilogia em torno do questionamento sobre os conceitos de estranheza examinados por Mark Fisher na obra The Weird and the Eerie. Trata-se de dois termos difíceis de traduzir para a língua portuguesa: weird (estranho) e eerie (inquietante).
“A procura de uma linha que nos encontra, uma ausência que já nos pareceu ternura e que hoje nos fica como o rasto deturpado da memória.”
Partindo da ideia de transgressão, “Trespass” procura encontrar o chão comum e ao mesmo tempo a polaridade humana entre o “bem” e o “mal”, explorando formas de humanizar o demoníaco e visceralizar o Humano. Procura o conflito e a paz, a sedução e o grotesco, a perfeição e o erro.
BOWND centra a pesquisa em movimento provindo do universo de Boundaries (fronteiras do indivíduo). Own (do próprio), Bond (ligação), Bound (limite e salto) são palavras-chave num caminho para a construção dos limites do ser humano e para uma consciência e expressão mais clara sobre quem somos e quem não somos, descoberta apenas na relação com o outro.
Inspirado em Notas do Subsolo de Fyodor Dostoyevsky, observamos a uma adaptação mais física deste homem tão intenso.
João Oliveira, foi o criador selecionado pelo júri do LAB 2 Aveiro para integrar o ciclo de apresentação Palcos Instáveis Segunda Casa no Teatro Aveirense.