“MAMA”, de Mafalda Deville, interpretação de Elisabeth Lambeck e Mafalda Deville, Palcos Instáveis

MAMA
Mafalda Deville
Palcos Instáveis Segunda Casa / Coprodução com o Teatro Municipal do Porto

Em cena, uma personagem para duas intérpretes que vão invocando memórias, medos e inseguranças, em diálogo surdo entre si. O interior e o exterior, a queda e o salto, o privado e o público, tudo embrulhado em canções de embalar. Em cena dois corpos que não se cansam de tentar. Dois corpos que sabem que por vezes é preciso reaprender a viver, e até reaprender a respirar.

“Nesta residência iniciei uma investigação sobre os conflitos emocionais e sociais da maternidade juvenil. Tive, como ponto de partida, o meu caso e fui ao encontro de jovens mulheres que se encontram a gerir a situação de estarem grávidas ou de terem sido mães recentemente. Em comum, no processo de entrevistas iniciado, o estado fisiológico—pré ou pós parto—e uma precariedade emocional e social devastadora. Era minha intenção chamar para a criação deste trabalho intérpretes que tivessem sido mães e que assim pudessem também partilhar a sua experiência. Em colaboração com o Israel Pimenta, partimos despidos de estruturas rígidas, conceptuais ou formais, privilegiando uma abertura franca aos pedaços de vida que nos fossem expostos. Optamos por trabalhar só com a Elisabeth Lambeck, num processo cúmplice, de quem sabe que só com pinças se pode mexer no que é tão frágil. Nesta fase, aqui apresentada, acabamos por explorar o intervalo temporal entre a descoberta do estar grávida e o nascimento do filho. Longos meses de profunda transformação física revoltos num turbilhão de acontecimentos e emoções. Da primeira vez que viemos à tona do mergulho das entrevistas, decidimos trabalhar com materiais precários e instáveis, frágeis e voláteis, tanto na cenografia como na pesquisa coreográfica.” (Mafalda Deville)

Mafalda Deville

Mãe, mulher, esposa e artista com mais de 20 anos de atuação. Criativa desde que se lembra, levando a tornar-se coreógrafa. A curiosidade constante pelos assuntos feministas que se tornaram uma pesquisa contínua e que a levou a trabalhar com diferentes grupos comunitários como parte do seu processo de pesquisa.
Agora, o seu interesse é em como o seu trabalho artístico pode e consegue ser ativista. Em como performances artísticas na esfera pública e em contexto de palco ligados à revolução feminista podem ajudar a entender o percurso que precisa de continuar a ser feito, questionando e desafiando os espaços onde os eventos de ativismo devem e podem acontecer.
Este interesse é investido através de colaborações e cocriações com diferentes artistas da Dança e de diferentes disciplinas artísticas com pesquisas diversas.

Ao longo da sua carreira como performer/criadora trabalhou com nomes como Jasmin Vardimon Company, Nuno Cardoso, Tiago Rodrigues – O mundo perfeito, Sadlers Wells Theatre, Companhia Instável, Hélder Seabra entre outros.

Mestrada em Coreografia pela Fontys University e Codarts University na Holanda em 2021. Formado pela London Contemporary School of The Place em 1997. Fundadora e diretora artística do projeto Oficina Zero com base no Porto.

Dança, M/12 – 70 min

Datas anteriores:
20 out / Cineteatro Alba, Albergaria-a-Velha

 

Direção e coreografia: Mafalda Deville

Cenografia e Dramaturgia: Israel Pimenta

Desenho de Luz: Diogo Barbedo

Interpretação e criação (estreia): Elisabeth Lambeck e Mafalda Deville

Interpretação e criação (digressão): Beatriz Valentim e Mafalda Deville

Música: Ravel, Chopin, Louis Spohr, Claude Debussy, PJ Harvey, Johnny Greenwood

Figurinos: Mafalda Deville

Agradecimentos especiais: Instituição Irmãs do Bom Pastor, Eduardo Leitão, Joana Neves